Entrevista a Adrenalina

Entrevista a Adrenalina 2019-10-15T12:24:53+01:00

Ei-la por fim, a tal convidada-mistério, cuja chegada à aldeia é objeto de todas as conversas. Filha de… quem se sabe, A. é antes de mais uma jovem que se vê confrontada com os problemas típicos da adolescência e com a por vezes dolorosa passagem à idade adulta, que é o verdadeiro tema deste 38.º álbum. Com efeito, se o seu ilustre pai não aparece senão numa única vinheta ao longo de toda a série, a jovem adolescente bate-o aos pontos e conduz o álbum como, sem dúvida, nenhuma outra personagem feminina o havia feito até agora na série. Ela é a força motriz que, pelas suas decisões, conduz a ação de uma ponta à outra, chegando por vezes a esgotar Astérix e Obélix, cuja missão consiste em segui-la! Nesse sentido, ela é portanto a primeira verdadeira aventureira da série, baseando-se a história desta 38.ª aventura inteiramente nela.

Olá, Adrenalina. Estou muito feliz por te receber nas aventuras de Astérix e Ob…

A.: Tu és o quê? Gaulês ou romano? Estiveste em Alésia? Ficas já a saber que detesto traidores…

…pois… e Obélix. Podes falar-nos um pouco do teu percurso, de onde vens?

A.: Rapidamente, então. O meu pai, toda a gente o conhece. Chamava-se Vercingétorix. Era muito esperto, o meu pai. Sinto falta dele. Não é fácil, pois toda a gente passa a vida a falar me dele. Aliás, estou farta que esteja sempre toda a gente de olhos postos em mim. Começou com os amigos do meu pai, os arvernes com um sotaque esquisito. E agora são estes romanos de meia tigela que não me largam… Estava melhor quando estava escondida em Lutécia. É fixe, a Lutécia. Uma beca mais retirada do que Nemessos (Clermont-Ferrand), mas fixe na mesma…

Pareces ser uma jovem fantástica, mas com um temperamento muito forte. Imagino que estejas a atravessar aquilo a que comummente se chama a crise da adolesc… ?

 A.: E a tua irmã, é a Cleópatra? Só quero que me larguem os brogues! Têm de deixar de me tomar por um estandarte. «Filha de Vercingétorix», parece que não sabem outra! Estes bárbaros só pensam em andar à estalada usando-me como pretexto. Não há um único que goste verdadeiramente de mim. Se isto continuar assim, vou para druidesa na floresta dos Carnutes!…

 Não te enerves! Podias agora descrever-te tu própria aos nossos leit…

A.: Não sou do estilo Falbala, se é isso que queres saber! O Conrad desenhou-me mais para o esguia. O Ferri queria que eu tivesse roupas góticas, que tanto furor fazem em Lutécia. Também uso um torque ao pescoço, que é um colar muito na moda e que fica bem com qualquer coisa. Até há quem mo quisesse roubar. Para além disso, o colorista pôs-me os cabelos vermelhos. Um pouco de mais para o meu gosto, mas tudo bem, revela o meu temperamento fogoso.

 Antes de te deixar em paz, poderias…

A.: Quando quiseres…

 …bom… poderias falar-nos das relações com os teus novos amigos da aldeia gaulesa?

 A.: Alguns são muito fixes e outros são uma seca. Há o pequenote de bigodes louros e o seu amigalhaço do menir que não são maus de todo, mas que não me largam as bragas. Há os romanos, que eu evito. E também há um doente que me persegue. Os mais simpáticos são os rapazes da aldeia. Com eles, está tudo bem: são fixes, compreendem-me, falamos de tudo. Também gosto muito das canções do bardo Cacofonix; elas agitam as hostes…

 A propósito, será que podes tirar o teu capacete só dois minutos. Não é de bom tom estar a ouvir música quando se está a falar com alguém.

 A.: Não estou a ouvir música. É o meu torque!